Maria, meu amor, minha vida inteira.
Nada devemos ao mundo senão nós mesmos. Escrevo-te por isso mesmo. Não que estejamos em dívida, mas sim porque nos devemos, também a nós, cobrar a vida inteira. Maria, tanta vida temos já para contar... E tanta mais havemos de ter.
Noivámos como o Camilo nos pediu, como já não se faz. Amor, quero casar contigo. Casar de verdade, de papel, de «Sim, quero.», de vestido branco, de festa de Família, e tudo.
Quero a nossa casa em Ferreira, quero os nossos petizes correndo pelo pátio, trepando a laranjeira. Quero-nos brincando com eles na Costa, a fazer casas nas árvores. Quero-nos ao Sol, lendo ao entardecer. Ouvindo músicas que nos fazem sorrir e apertar as mãos e os dedos um do outro, nem que seja levemente, quando trocamos o olhar. Quero que nos tenhamos em Casa.
Meu amor, devemo-nos tanta arte e tantas viagens. Tanta vida, e bicicletas, e Paris. Devemo-nos tanta Casa, Maria. Tantos abraços.
Não é envelhecer, amor, é viver.
Maria João Isidro Guerreiro, casas comigo?

Meu amor, conheces-me tão bem... Sabes o quanto me emociona este prelúdio, esta obra, este amor tão grande. É tão tudo. Comovo-me enquanto te escrevo. É inevitável. Sim. Já to disse hoje. Hoje mais a sério do que nunca, a minha resposta é Sim. E di-lo-ei nesse dia de primaveira ao som de Wagner, abençoados por Tristão e Isolda, Príamo e Tisbe, Romeu e Julieta, tal como temos direito, imaculados que estamos no nosso amor maior do que o mundo.
ResponderEliminarMerecemos a Vida, meu amor. Os bosques, a natureza, a música, a beleza, o bom, a saúde, a sensação, a sensibilidade, a estesia, a grandiosidade, a eternidade (Ah! A Eternidade),
o tempo, a intemporalidade, a arte, o mar, o corpo inteiro, a nuvem, o céu, a borboleta, a ave, a pintura, a poesia, a tela, a história, o futuro. Tudo. O Mundo é nosso. Dá-me a mão, meu amor.
É agora.
http://www.youtube.com/watch?v=EdR7li8K7E4