domingo, 27 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Maria, lembrando Tomé
Em que pensar, agora, senão em ti? Tu, que
me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a
manhã da minha noite. É verdade que te podia
dizer: «Como é mais fácil deixar que as coisas
não mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos
apenas dentro de nós próprios?» Mas ensinaste-me
a sermos dois; e a ser contigo aquilo que sou,
até sermos um apenas no amor que nos une,
contra a solidão que nos divide. Mas é isto o amor:
ver-te mesmo quando te não vejo, ouvir a tua
voz que abre as fontes de todos os rios, mesmo
esse que mal corria quando por ele passámos,
subindo a margem em que descobri o sentido
de irmos contra o tempo, para ganhar o tempo
que o tempo nos rouba. Como gosto, meu amor,
de chegar antes de ti para te ver chegar: com
a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água
fresca que eu bebo, com esta sede que não passa. Tu:
a primavera luminosa da minha expectativa,
a mais certa certeza de que gosto de ti, como
gostas de mim, até ao fim do mundo que me deste.
me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a
manhã da minha noite. É verdade que te podia
dizer: «Como é mais fácil deixar que as coisas
não mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos
apenas dentro de nós próprios?» Mas ensinaste-me
a sermos dois; e a ser contigo aquilo que sou,
até sermos um apenas no amor que nos une,
contra a solidão que nos divide. Mas é isto o amor:
ver-te mesmo quando te não vejo, ouvir a tua
voz que abre as fontes de todos os rios, mesmo
esse que mal corria quando por ele passámos,
subindo a margem em que descobri o sentido
de irmos contra o tempo, para ganhar o tempo
que o tempo nos rouba. Como gosto, meu amor,
de chegar antes de ti para te ver chegar: com
a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água
fresca que eu bebo, com esta sede que não passa. Tu:
a primavera luminosa da minha expectativa,
a mais certa certeza de que gosto de ti, como
gostas de mim, até ao fim do mundo que me deste.
Pedro, lembrando Inês
Nuno Júdice
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
The right stuff
"The great moments of your life won't necessarily be the things you do. They'll also be the things that happen to you. Now, I'm not saying you can't take action to affect the outcome of your life. You have to take action. And you will! But never forget, that on any day, you could step out the front door, and your whole life could change forever. You see, the Universe has a plan kids; and that plan is always in motion. A butterfly flaps its wings, and it starts to rain. It's a scary thought, but it's also kind of wonderful. All these little parts of the machine constantly working... Making sure that you end up exactly where you're supposed to be.. exactly when you're supposed to be there. The right place. At the right time."
Muitas vezes, amor, penso o que teria sido de nós se não tivéssemos sido. Se não estivesse no Porto. Se não te escrevesse. Se não tivesse vindo. Se não tivesses respondido. Se não tivesses aparecido. Se não tivesses voltado.
Sempre te amei, Maria. Amava-te já desde antes de nós. Amava-te enquanto ideia, imagem, reflexo, miragem. Queria-te e desejava-te. Quase te sentia o cheiro, juro. Amei-te enquanto amiga, mulher, esposa, amante e namorada. Amei-te dia e noite, sob o sol do Verão e a chuva do Inverno. As minhas noites eram tuas, e os dias também. Tudo. A casa era tua, mas não moravas lá. A almofada era tua, mas não era naquela que adormecias nem na minha que acordavas. Em momento algum eu te não tive em mim. Em toda a minha vida. Nasceste em mim comigo, meu amor.
E vim, do mundo até ti, também por entre vinhas sobredos vales socalcos searas serras atalhos veredas lezírias e praias claras. Também aqui, como se fosse em Califórnia 21, meu amor, eu te esperava todos os dias. E aconteceu também tu me esperares. Um dia, tu de laço no cabelo, eu de sobretudo abraçado ao peito. Trazias o livro que na altura lias, se bem me lembro, e eu levava o meu. Ali, mesmo ali ao pé do mar, foi onde nos beijámos pela primeira vez. Naquele jardim, junto àquele riacho que agora mais claro vemos, cresceram as nossas flores, uma por uma, com tempo, como quem tem a paciência de esperar que a vida aconteça por saber de antemão o que a vida lhe espera. Não de concreto, claro, mas de completo. Uma por uma, dizia-te, medraram as nossas flores. Dos bolbos sairam caules, e dos caules folhas, e, bem na ponta, as mais maravilhosas flores. E dentro das flores, cresceram as pétalas, e os estames, e destes o nosso próprio pólen se desprendeu, e dessas flores outras nasceram, e cresceram, e, juntas, fizeram o jardim que somos. A cada instante, bebendo a água e a natureza da terra que os nossos pés nús haviam já pisado, dessas outras novas flores, outras mais belas ainda brotaram. E árvores também, com troncos grossos e fortes como Zeus, e de onde se esboçaram frutos doces como Hera.
E dessas flores todas fizeram-se cidades e pessoas, e imagens, e sons. Movimento. Do nosso chão nasceu a vida que vejo. Olho para a minha esquerda, e vejo-nos correndo por entre as estátuas do Louvre, esquivando visitantes e guardas. Mais ao fundo, vejo também o Ben Webster adormecendo os nossos petizes. Virando-me para a direita, sinto o cheiro de caminhadas em Villa Borguese, comentando a pérola do brinco de uma rapariga, e sorrindo sobre tolices de Shakespeare. Se me voltar para trás, meu amor, tenho-nos partilhando o Metropolis, entre mantas, e com os pés apoiados numa pilha de poemas celtas sobre o amor entremeados com Rulfo e Cristina Campo. Mesmo por diante de mim, e até onde a minha vista alcança, é-me fácil distinguir todas e cada uma das flores: os lírios, balançando ao vento como as notas de música, as tulipas, coloridas como as palavras, as flores de laranjeira, como os nossos lençóis, os narcisos, belos como os nossos pequenos, as magnólias e as orquídeas, puras e simples como os nossos dias, as gerberas, divertidas como o Une femme est une femme, e as flores de cerejeira, imaculadas como o porto Kyoto onde tantas vezes nos abrigaremos.
E mais, amor, muito mais. Mais existe, e mais temos. Mais somos, e mais sabemos. Isto é o que vejo, é o pouco que sei e reconheço. Sei também, porém, o quanto ainda por completo não vi: a nossa vida inteira. Sei a que sabe e a que cheira. Sei o sonho que é, e sei o amor que temos. Como Calvino, tenho-me com desejos em demasia, de subir para o topo das árvores mais frondosas do nosso jardim, e desafiar o mundo, desafiar a vista, saborear o vento da nossa vida. Ver mais longe, ainda. Mas, como as nossas flores, tenho também o sossego no coração. A calma e a satisfação de saber que o porvir é isso mesmo: por vir. Mas virá, apesar de ainda não ter chegado. E, a cada novo passo que dermos, teremos um outro novo mundo, bem mais admirável do que o outro: é o nosso.
Desde o primeiro dia, Maria, que te guardo o cheiro, o sabor e o toque. Eras igual ao sonho, mas melhor. Amo-te em todos os dias da nossa escola.
Com o amor de Apollo e Afrodite, do sempre teu,
Tomé
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
palavras de Sophia
Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei
Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso
Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo
Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei
Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso
Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo
Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
perfect.
From the autumn of 1999 until the spring of 2004 I lived in the first floor apartment in a Victorian house on Castro Street in San Francisco," Noah recalls. "At first, I lived alone in a room that was about the right size for an infant to feel comfortable, and that had, in fact, once been a nursery. After a while, I moved into the room down the hall from the nursery. It was bigger and I shared it with my girlfriend Joanna and her harp and all the collected materials of our lives. Among the waves of our life in this room, Joanna wrote most of the songs that ended up being her first album, and I wrote these songs."
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