quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
solstício de inverno
o frio, a chuva e a literatura pedem-me jazz. pedem-me charles mingus. e eu, bem, eu peço-te a ti, comigo, para termos tudo isto juntos. vem. vem e leva-nos só para ti.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
a propósito de cummings,
i like my body when it is with your
body. It is so quite a new thing.
Muscles better and nerves more.
i like your body. i like what it does,
i like its hows. i like to feel the spine
of your body and its bones, and the trembling
-firm-smooth ness and which i will
again and again and again
kiss, i like kissing this and that of you,
i like, slowly stroking the, shocking fuzz
of your electric fur, and what-is-it comes
over parting flesh . . . . And eyes big love-crumbs,
and possibly i like the thrill
of under me you quite so new.
(o que te tentava dizer ontem, minha macia-pele)
body. It is so quite a new thing.
Muscles better and nerves more.
i like your body. i like what it does,
i like its hows. i like to feel the spine
of your body and its bones, and the trembling
-firm-smooth ness and which i will
again and again and again
kiss, i like kissing this and that of you,
i like, slowly stroking the, shocking fuzz
of your electric fur, and what-is-it comes
over parting flesh . . . . And eyes big love-crumbs,
and possibly i like the thrill
of under me you quite so new.
(o que te tentava dizer ontem, minha macia-pele)
à nossa medida
temos coisas-de-fachada-que-são-pra-meninos, minta, luis walter benjamin nunes, paus, abc do (é o) amor, contos do mal errante - modo llansol para gente crescida - o grande azul (que podia ser o oceano), clubes restritos e exclusivos a actores chamados eduardo ou brad, obras semi-completas do excelentíssimo senhor - volve agora o movimento dos corpos em latim - pedro nunes, ludwig - i'm familiar with certainty - wittgenstein e res publica à moda grega.
o carpaccio pode falhar, mas salve-nos a nossa cultura!
(beijos com sabor a assírio & alvim)
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
domingo, 14 de novembro de 2010
i do love you (ou mais coisas bonitas de mim para ti)
it's been a long long time since i memorized your face
it's been four hours now since i wandered through your place
and when i sleep on your couch i feel very safe
and when you bring the blankets i cover up my face
i do
love you
i do
love you
and when you play guitar i listen to the strings plus
the metal vibrates underneath your fingers
and when you crochet i feel mesmerized and proud
and don't say 'i love you' without saying it out loud
it's hard, so i won't say it at all
and i won't stay very long
but you are the life i needed all along
Sufjan Stevens
(também)
(Quando a Arte versa sobre ti, penso que o Joyce acertou. Existem epifanias. Tu. A música em ti. A verdade dela.)
it's been four hours now since i wandered through your place
and when i sleep on your couch i feel very safe
and when you bring the blankets i cover up my face
i do
love you
i do
love you
and when you play guitar i listen to the strings plus
the metal vibrates underneath your fingers
and when you crochet i feel mesmerized and proud
and don't say 'i love you' without saying it out loud
it's hard, so i won't say it at all
and i won't stay very long
but you are the life i needed all along
Sufjan Stevens
(também)
(Quando a Arte versa sobre ti, penso que o Joyce acertou. Existem epifanias. Tu. A música em ti. A verdade dela.)
from the top of it
Oh, I love you a lot... Oh!, I love you from the top of my heart.Sufjan Stevens
ao ouvir coisas tuas, amor, fica-me esta frase. fica-me tudo o que me tem ficado por te dizer. são violinos, amor, são trompetes, são guitarras, são flautas de pã, pianos e coros. fascinas-me sempre e prendas-me com tanto tu, maria, meu amor.
e levanto a minha mão, feliz confesso.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
when i hold you in my arms, and look back on my charmed life
But I knew I'd find the one
And sure enough she came along
And not long after that along came you
(nós, amor: tu e eu * )
domingo, 7 de novembro de 2010
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
orelhas de joanna
eis que temos o que nos faltava na enumeração, meu coração: joanna newsom.
andrew bird, mazgani, coco rosie, tiago sousa, fanfarlo, legendary tigerman, camera obscura, joão coração, bill callahan, b fachada, devendra banhart, norberto lobo, the divine comedy, orelha negra, jeff tweedy, noiserv, au revoir simone, samuel úria, e tó trips. a esta família se juntará, muito em breve, a nossa paixão, a joanna. tanto do nosso amor é ela, maria.
amo-te mais e sempre. a cada dia mais, querida *
temos joanna, arcade e band of horses na calha, maria, mas ainda nos devemos o rodrigo, o yann, o antony, os god help the girl, os koop, os portishead, os she & him, os ratatat, os grizzly bear, a isobel e o mark, os black keys, a feist, os blonde redhead, o nick cave, o bonnie, o sufjan, os beirut, os little joy, os national, os beach house e a cat.
(casaremos com todos eles <3 * )
andrew bird, mazgani, coco rosie, tiago sousa, fanfarlo, legendary tigerman, camera obscura, joão coração, bill callahan, b fachada, devendra banhart, norberto lobo, the divine comedy, orelha negra, jeff tweedy, noiserv, au revoir simone, samuel úria, e tó trips. a esta família se juntará, muito em breve, a nossa paixão, a joanna. tanto do nosso amor é ela, maria.
amo-te mais e sempre. a cada dia mais, querida *
temos joanna, arcade e band of horses na calha, maria, mas ainda nos devemos o rodrigo, o yann, o antony, os god help the girl, os koop, os portishead, os she & him, os ratatat, os grizzly bear, a isobel e o mark, os black keys, a feist, os blonde redhead, o nick cave, o bonnie, o sufjan, os beirut, os little joy, os national, os beach house e a cat.
(casaremos com todos eles <3 * )
terça-feira, 19 de outubro de 2010
outono
outono, com sol e frio. eu e tu, num acordar cedo. cheiro a café, daquele de cafeteira, com chávenas grandes, e as mãos que a abraçam. casacos, cachecóis, luvas, gorros e uma mesa no terraço. dentro, uma lareira, livros, e uma música de fundo, sempre presente. filmes a preto e branco, também. narizes frios que se beijam.
(o quanto preciso dos meus dias casados com os teus, Maria * )
domingo, 17 de outubro de 2010
casa(-me)
a nossa casa é uma exigência, Maria, meu Amor. é algo maior do que o mundo. é um desejo maior do que a vida, e maior do que qualquer existência. a nossa casa é-me tudo. quero-nos juntos, dia e noite, todos os dias e todas as noites. quero chegar a casa e ouvir a nossa música, ver os nossos filmes, ler os nossos livros, (re)fazer as nossas viagens. quero o nosso tempo, Amor. devemo-nos uma vida inteira, sabemo-lo. quero escolher móveis e talheres, contigo, quero planear coisas, quero desenhar as nossas vidas na nossa vida.
aqui e agora, peço a nossa casa, minha tão querida Maria.
aqui e agora, peço a nossa casa, minha tão querida Maria.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
aquilo para que vivi (ou a beleza de ti, ou tu em mim, ou coisas de ti, ou elogio ao amor)
aquilo para que vim, Maria, aquilo para que vivo, visto nos pontos do russell.
1. a busca do amor.
desde muito cedo que o procurei em muitos, quiçá demasiados, sítios. procurei em múltiplas geografias, inclusivé. este é, sem dúvida, um ponto seminal da minha vida. tive cheiros, momentos em que me pareceu sentir o amor a chegar. falso, ilusões provisórias de algo que se anunciava mas que nunca chegava. cria (e queria) amar e ser amado (com todos os clichés e tudo), e tudo fiz por isso. mas nunca nada. até ti. deambulei, como o russell, em zigue-zagues, bolinando entre borrascas, procurando a terra prometida (e que cria devida). e, também como o russell, estive à beira do desespero da loucura insana do abismo. até ti. saciaste-me a busca, saciaste-me as vontades, saciaste-me a alma, com o teu coração cheio. acalmaste-me o vento, as vagas, as tempestades, e sopras-me uma brisa calma e com direcção a algo maior, melhor e mais bonito. desde ti, esta busca perdeu todo o seu sentido, pois não preciso de procurar aquilo que já encontrei. é contínuo, é verdade, mas a busca agora é outra. é a busca de ti, de mim e de nós. de todos os nossos passos e de todos os nossos espaços. procuro-nos em cada uma das nossas viagens, fotografias e noites. quero a nossa vida inteira, como dizia o esteves cardoso, e quero os nossos sonhos, como lemos no mourão-ferreira.
hoje, quero o amor, como sempre, mas mais do que isso: quero o teu amor. nenhum outro quero porque nenhum outro me serve. és a minha noiva, e um dia serás a minha esposa, apesar de sempre teres sido a minha mulher. a minha busca, hoje, com muito menos desespero, mas com muito maior necessidade, é por nós. hoje, a minha loucura é outra, apesar dos laivos de insanidade (como acordar às 4h da manhã para te ir beijar a setúbal ainda antes das 7h). a minha entrega e devoção a ti são totais, universais, eternas e incondicionais, Maria.
tu serás a mãe dos meus filhos, Maria. da loira leonor, do bonito cineasta guilherme, da morena escritora sophia, da fotógrafa francesa maria, da doce bióloga alice, e de todos os outros. e até já os filhos que ainda não tivémos precisam de ti. porque os nossos filhos são nossos, meus e teus. com todos os genes e todos os humores.
tu és o meu futuro, Maria, e isso sossega-me. acalma-me pela paz que me traz, o saber-me completo. finalmente inteiro. és-me tudo, meu amor, e eu resumo-me em ti.
1. a busca do amor.
desde muito cedo que o procurei em muitos, quiçá demasiados, sítios. procurei em múltiplas geografias, inclusivé. este é, sem dúvida, um ponto seminal da minha vida. tive cheiros, momentos em que me pareceu sentir o amor a chegar. falso, ilusões provisórias de algo que se anunciava mas que nunca chegava. cria (e queria) amar e ser amado (com todos os clichés e tudo), e tudo fiz por isso. mas nunca nada. até ti. deambulei, como o russell, em zigue-zagues, bolinando entre borrascas, procurando a terra prometida (e que cria devida). e, também como o russell, estive à beira do desespero da loucura insana do abismo. até ti. saciaste-me a busca, saciaste-me as vontades, saciaste-me a alma, com o teu coração cheio. acalmaste-me o vento, as vagas, as tempestades, e sopras-me uma brisa calma e com direcção a algo maior, melhor e mais bonito. desde ti, esta busca perdeu todo o seu sentido, pois não preciso de procurar aquilo que já encontrei. é contínuo, é verdade, mas a busca agora é outra. é a busca de ti, de mim e de nós. de todos os nossos passos e de todos os nossos espaços. procuro-nos em cada uma das nossas viagens, fotografias e noites. quero a nossa vida inteira, como dizia o esteves cardoso, e quero os nossos sonhos, como lemos no mourão-ferreira.
hoje, quero o amor, como sempre, mas mais do que isso: quero o teu amor. nenhum outro quero porque nenhum outro me serve. és a minha noiva, e um dia serás a minha esposa, apesar de sempre teres sido a minha mulher. a minha busca, hoje, com muito menos desespero, mas com muito maior necessidade, é por nós. hoje, a minha loucura é outra, apesar dos laivos de insanidade (como acordar às 4h da manhã para te ir beijar a setúbal ainda antes das 7h). a minha entrega e devoção a ti são totais, universais, eternas e incondicionais, Maria.
tu serás a mãe dos meus filhos, Maria. da loira leonor, do bonito cineasta guilherme, da morena escritora sophia, da fotógrafa francesa maria, da doce bióloga alice, e de todos os outros. e até já os filhos que ainda não tivémos precisam de ti. porque os nossos filhos são nossos, meus e teus. com todos os genes e todos os humores.
tu és o meu futuro, Maria, e isso sossega-me. acalma-me pela paz que me traz, o saber-me completo. finalmente inteiro. és-me tudo, meu amor, e eu resumo-me em ti.
sábado, 9 de outubro de 2010
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
bergman e duras versam sobre Ti
na minha boca, as coisas d'ele
Se a tua boca as diz
Se no teu rosto as vejo
As palavras são coisas
Quando as fere o desejo
E quando dizes mar
E quando dizes norte
Não sei se nao me acerco
De um bocado de morte
E quando dizes barco
Ou quando dizes esfera
Há águas que transbordam
E inundam a terra
As palavras são coisas
As palavras são um perigo
Se acaso as pronuncias
Quando não estás comigo
E quando tu adormeces
Muda num sonho fundo
Tudo se desvanece
E deixa de haver mundo.
Bernardo Pinto de Almeida
(são do meu coração para o teu, Maria * )
Se no teu rosto as vejo
As palavras são coisas
Quando as fere o desejo
E quando dizes mar
E quando dizes norte
Não sei se nao me acerco
De um bocado de morte
E quando dizes barco
Ou quando dizes esfera
Há águas que transbordam
E inundam a terra
As palavras são coisas
As palavras são um perigo
Se acaso as pronuncias
Quando não estás comigo
E quando tu adormeces
Muda num sonho fundo
Tudo se desvanece
E deixa de haver mundo.
Bernardo Pinto de Almeida
(são do meu coração para o teu, Maria * )
terça-feira, 5 de outubro de 2010
diamonds and carousels
sonho-nos em paris, meu amor, com o diamante e os carrocéis.
sê a minha mulher. eu serei o teu marido. sempre (i'll bake you apple pie).
sê a minha mulher. eu serei o teu marido. sempre (i'll bake you apple pie).
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
terça-feira, 7 de setembro de 2010
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
the one i love
casa comigo. para mulher alguma eu olhei nos últimos dois anos. ninguém admirei em toda a minha vida como te admiro a ti. a ninguém desejo como a ti. mãe outra jamais quererei para os meus filhos. nenhuma outra mão estará e repousará na minha mão, que é, também (e só), tua. leva-me, maria. sê a minha mulher. de e para sempre. toma-me, faz-me teu como nunca ninguém o fez. casa comigo, tem casa comigo. o quanto te amo, doce loucura!, e o quão tolo parecerei ao querer-te desta forma tão infinita e incondicional como o nosso amor. amo-te.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
and you become what you always were
A nossa vida é já tão grande e tão bela como o amor e as histórias do Edward Bloom. Seremos sempre maiores do que tudo, em qualquer tempo ou lugar.
(XIX)
XIX
assim como assim, somos mais do que maiores, meu amor. torna-se maior, a cada dia que passa, a vontade de uma vida inteira contigo. e é-me cada vez mais necessária. por tudo.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
quando o boi 'malhado' se demora no coração
"Havia, entre sua manada, um muito triste boizarrão. De manhã até de noite o bicho boiava em rasteira solidão, esquecido de si, dos capinzais e das obrigatórias ruminações. Seus olhos felpudos seguiam todas distracções. Tudo lhe era pretexto, fosse o estremecer de uma sombra, fosse o farfalinar de uma borboleta tricotando o seu voo. O pastorzinho se agastava: que doença estaria a consumir o animal? E se decidiu a segui-lo, de luz a lés. Foi então reparou que o bicho se prendia na visão de uma dada e considerada garça. A ave pernalteava-se, se juntava às nuvens, suas gémeas: sempre e sempre a atenção do boi nela se centrava. O ruminante se imobilizava, impedido. O pastor chambocava o bovino a ver se ele manadeava. O varapau, vuuum-ntááá, estalava nos costados. Nem valia a pena. Pois ele sacudia os lentos cornos e seguia, de impossível, impassível.
Sem nenhum comer, o bicho definhava-se. O pastor nem sabia como explicar a seu tio, dono da criação. Certa noite, ao juntar suas migalhas, o pastor viu aquilo que duvidava de contar. Pois que o boi esticava o pescoço para a lua e declamava mugidos que nunca foram ouvidos. De repente, se agitou todo seu corpo, o bicho parecia estar em parto de si mesmo. De sua garganta se afilaram os gemidos que se foram vertendo, creia-se, num cantarinhar de ave. Às duas por uma, ele começou a minguar, pequenando-se de taurino para bezerro, de bezerro para gato chifrudo. Em violentos arrepios se sacudiu e os pêlos, aos tufos, lhe foram caindo. No igual tempo lhe surgiam plumas brancas. Em instantes, o mamífero fazia nascer de si uma ave, profundamente garça.
O recente pássaro, então, percorreu o redor, procurando não se sabe qual quê com o seu olhar em seta. Até que, de súbito, se vislumbrou uma outra garça, essa mesma que lhe fazia, enquanto boi, demorar o coração. E o transfigurado mamífero acorreu em volejos, se chegando à autêntica ave. Dançou em repentinos saltos, as pernas de nervosa altura, como se estivessem ainda a soletrar os primeiros passos. A terra parecia demasiado pesada para aquele habitante dos céus. Ali ficaram os recíprocos dois, em namoros despregados, soltando brancas fulgurações.
O pastor se garantiu que assim acontecia todas as noites de luar cheio. No roçar da aurora, o boi regressava à condição de tristonho quadripedestre. Sucedeu um ano, contudo, que, por meses seguidos, a lua teimou em não sair. Por tempos consecutivos, as noites se velaram, escuras, viscosas. O boi percorria as nocturnas horas se mantendo boi, mugindo como as acabrunhadas xipalapalas. Morreu na trigésima noite. O pastor assistira a sua lenta agonia e jura ter visto lágrimas deflagrando nos redondíssimos olhos do bicho."
Mia Couto in "Terra Sonâmbula"
i am because we are
"Through fire below, and fire above, and fire within
Sleeped through the things that couldn't have been if you hadn't have been
(...)
All my bones they are gone, gone, gone
Take my bones, I don't need none
Cold, cold cupboard, lord, nothing to chew on!
Suck all day on a cherry stone
Dig a little hole, not three inches round
Spit your pit in the hole in the ground
Weep upon the spot for the starving of me!
Till up grow a fine young cherry tree"
(a falta que me fazes... <3 )
terça-feira, 31 de agosto de 2010
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
amendoeiras em flor
sábado, 7 de agosto de 2010
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
SOS
(fotografia de Yvan Leduc)
a nossa casa precisa de ti, meu amor. já e sempre. hoje mais do que nunca *
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
comptine d'un an et demi

Fotografia de Georges Dambier
XVIII meses de muita beleza, muita arte, muita fotografia, muita literatura, muita poesia, muita harmonia, muita estesia, muito enamoramento recursivo pelo mundo, muito carinho, muita Ternura, muitos aromas, muitos perfumes, muitas delícias, muitas viagens, muitos beijos, muitos olhares, muitos encontros, muitos sorrisos, muitas páginas, muitos toques, muitas mãos, muitas pestanas, muitas flores, muitos traços, muitas tintas, muitos lábios, muitas histórias, muitos advérbios de modo, muitos origamis, muitos dinossauros, muita pintura, muito cinema, muitas árvores, muitos jardins, muitos vestidos, muitos botões, muitos cachecóis, muitas borboletas, muito chocolate, muito chá, muito café, muita Roma, muita Paris, muita e sempre nossa Lisboa.
De quem te amará todos os dias de modo cada vez mais perfeito. Beijos de Maria.
i fear no fate (for you are my fate, my sweet) / i want no world (for beautiful you are my world, my true)
i carry your heart with me (i carry it in my heart)
i am never without it (anywhere i go you go, my dear;
and whatever is done by only me is your doing, my darling)
i fear no fate (for you are my fate, my sweet)
i want no world (for beautiful you are my world, my true)
and it's you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you
here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life; which grows
higher than soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart
i carry your heart (i carry it in my heart)
Edward Estlin Cummings
(escrito como nunca to soube dizer, com toda a força das palavras... * )
i am never without it (anywhere i go you go, my dear;
and whatever is done by only me is your doing, my darling)
i fear no fate (for you are my fate, my sweet)
i want no world (for beautiful you are my world, my true)
and it's you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you
here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life; which grows
higher than soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart
i carry your heart (i carry it in my heart)
Edward Estlin Cummings
(escrito como nunca to soube dizer, com toda a força das palavras... * )
XVIII
Com toda a pompa, meu amor, temos tantos meses como o século da Marie Antoinette, do Benjamin Franklin, do Johann Sebastian Bach, do George Frideric Handel, do Joseph Haydn, do Wolfgang Amadeus Mozart, do Antonio Vivaldi, do William Blake, do Francisco Goya, do Daniel Defoe, do Voltaire, do Immanuel Kant, do Jean-Jacques Rousseau, do Daniel Bernoulli, do Anders Celsius, do James Cook, do Daniel Gabriel Fahrenheit, do Carl Friedrich Gauss, do Joseph Louis Lagrange, do Pierre-Simon Laplace, do Antoine Lavoisier e do James Watt.
Amo-te sempre com todo o teu conhecimento, com todo o teu interesse, com tudo de ti, Maria *
(Sempre.)
Amo-te sempre com todo o teu conhecimento, com todo o teu interesse, com tudo de ti, Maria *
(Sempre.)
domingo, 25 de julho de 2010
sexta-feira, 23 de julho de 2010
quinta-feira, 22 de julho de 2010
tudo. sempre. de forma incondicional.
(ilustração de Bill Watterson)
I wish people were more like animals. Animals don´t try to change you or make you fit in. They just enjoy the pleasure of your company. Animals aren´t conditional about friendships. Animals like you just the way you are. They listen to your problems, they comfort you when you´re sad, and all they ask in return is a little kindness.Calvin
assim mesmo, maria. teu, todo, sempre, e de forma incondicional.
(post scriptum: quase quase XVIII * )
quinta-feira, 15 de julho de 2010
segunda-feira, 5 de julho de 2010
XVII
"Le véritable amour est éternel, infini, toujours semblable à lui-même; il est égal et pur, sans démonstrations violentes; il se voit en cheveux blancs, toujours jeune de coeur."
amo-te, maria. quero a minha vida inteira contigo. sempre.
edit: 100th window <3 *
amo-te, maria. quero a minha vida inteira contigo. sempre.
edit: 100th window <3 *
quarta-feira, 30 de junho de 2010
beleza nipónica
"Ela tem um sorriso doce, como se brilhasse sob uma luz deslumbrante. E, com esse sorriso, estaria a pensar sem dúvida nessa "outra vez", porque a viu enrubescer pouco a pouco - como se todo o seu corpo se abrasasse com o calor das palavras que ele lhe disse. E quando a mulher se inclinou, dobrando a cabeça com uma certa dureza, Shimamura pôde ver-lhe o pescoço avermelhado debaixo do quimono levemente afastado. E o mesmo acontecia com a nuca e tudo o que ele conseguia descobrir dessa carne perturbante e mais voluptuosa ainda sob a massa negra dos cabelos, que, por contraste, a valorizava; nesse ardente frémito de sensualidade julgou vê-la nua à sua frente. Não, os seus cabelos não têm na verdade uma tal riqueza for serem excessivamente densos, é antes a sua vitalidade, aquela consistência um pouco masculina, que lhe permite um penteado assim, impecável, estilizado, à moda antiga, e sem o mais pequeno defeito, tão liso como uma laca, armado com tal dignidade que ela mais parecia ter na cabeça uma sólida escultura de pedra negra."
Kawabata in Terra de Neve
terça-feira, 29 de junho de 2010
terça-feira, 22 de junho de 2010
b612
(ilustração de Siena)
"C'est le temps que tu as perdu pour ta rose qui fait ta rose si importante."
quero-nos a pequenalmoçar aqui com os nossos petizes, maria:
quinta-feira, 17 de junho de 2010
quarta-feira, 16 de junho de 2010
I'm absolutely and totally quite uncontrollably happy
EISHA PÁ, QUE EU SOU A MIÚDA MAIS SORTUDA DO MUNDO!
Amo-te tudo, Tomé! E as tuas (500) mil surpresas são cada dia mais impressionantes *
Amo-te tudo, Tomé! E as tuas (500) mil surpresas são cada dia mais impressionantes *
terça-feira, 15 de junho de 2010
Dia número D
Sabes bem que sou uma criatura melodramática, aficcionada pelo virtuosismo dos clássicos e pelas grandiosidades renascentistas. Sou, diz-se, de génese bizarra. Precisamente por conjugar a bravura aparente com a fraqueza e a candura do coração. No fundo, estes 500 dias foram também muito isso. E adoro-os por (e com) toda essa cinematografia.
Quero outros tantos D e muito mais. Para sempre, querido Tomé *
(500)
500 dias de mãos dadas, meu amor, com toda a música, os livros, os passeios, as casas, os jardins, as viagens, os planos, os filmes, os cabelos, as praias, os concertos, os jantares, os sonhos, e a nossa vida inteira *
segunda-feira, 14 de junho de 2010
there's always one
(fotografia de per)
há sempre qualquer coisa com magia de novidade em ti, maria, como o facto de gostares de lápis.
(o quanto te quero * )
(todos os dias)
hoje acordei com desejos de nos ter assim, porque os nossos dias só me parecem isto, e seria injusto que assim não nos tivéssemos.
amo-te. tudo. sempre.
domingo, 13 de junho de 2010
os nossos fins-de-semana
São ainda melhores com o JP.
São flores aos milhões entre ruínas
Meu peito feito campo de batalha
Cada alvorada que me ensinas
Oiro em pó que o vento espalha.
(Quero para sempre as manhãs do nosso amor...)
São flores aos milhões entre ruínas
Meu peito feito campo de batalha
Cada alvorada que me ensinas
Oiro em pó que o vento espalha.
(Quero para sempre as manhãs do nosso amor...)
terça-feira, 8 de junho de 2010
ainda d'itália
rodrigo
não poucas vezes, pergunto-me porque tive de esperar tanta vida por ti, maria. daqui não saias mais.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
sábado, 5 de junho de 2010
quinta-feira, 3 de junho de 2010
'cause I don't want to get over love
I could make a career of being blue
I could dress in black and read Camus,
Smoke clove cigarettes and drink vermouth
Like I was 17
That would be a scream but,
I don't want to get over you.
Jamais, meu amor. Jamais.
(mesmo nos dias em que sou azul, Amo-te)
quarta-feira, 2 de junho de 2010
give you my love
é que estas ausências de te tirarem de mim, deixam-me assim, com falta tua maior que o mundo. hoje, vou querer ter-nos ao som d'esta. (e não mais te vou largar...)
"tempo de coração afastado, junto com o corpo, tem força de pôr homens e mulheres à semelhança das tempestades, mas significa primaveras por dentro, e nenhum inverno."
"assim eu também, a toda a hora, só me dá ganas de estar com a minha ermesinda e fazer vida toda ser o seu marido e mais nada."
(como o valter é tão nós, amor * )
today
it's our anniversary.
vontades muitas de te beijar em santa maria da feira como então o fizémos. vontades de te ter pela mão, passeando nos jardins do luxemburgo, em paris, e vontades mais ainda de te abraçar em montmartre e te beber em villa borghese, como o outro fez e nos contou. leva-me a madrid e a kyoto.
quero um mundo inteiro contigo, maria.
(joanna e bill. nós e eles, amor * )
XVI
(pintura de Krøyer)
se te perguntarem por nós, sobre
que coisa fazemos quando estamos
juntos, diz a verdade
que deslocamos os cometas sem
querer, as estrelas para desenhos e
a lua garantindo o amor
diz a verdade sobre a intervenção
na cósmica escolha dos casais,
a obrigação de nos obedecer
não fosse o universo desentender quem
somos e favorecer a separação ou,
pior, o não nos havermos conhecido
valter hugo mãe
jamais serei sarga, maria. amo-te mais do que o tempo que nos temos. ser-te-ei sempre fiel e sempre leal. quererei toda a minha vida contigo. e todos os sonhos.
serás sempre o meu coração, amores em que me tens.
amo-te.
do sempre sempre (e cada vez mais!) teu,
tomé
terça-feira, 1 de junho de 2010
segunda-feira, 31 de maio de 2010
mississippi
(quero tanto mississippi john hurt connosco, maria, e nós em nova iorque * )
imagina os serões de fins-de-semana de setembro, dançando com os nossos pequenos, na soleira da nossa entrada *
domingo, 30 de maio de 2010
Dostoïevski
Enquanto lia sobre os senhores D. e K. (como se fosse o Gonçalo M. Tavares) encontrei isto:
AMO-TÉ, IMOTEP
Por acaso não te é familiar, não?
(Já te tenho todas as saudades do mundo, meu Tomé...)
sábado, 29 de maio de 2010
bela
belo per noi, maria.
Às vezes se te lembras procurava-te
retinha-te esgotava-te e se te não perdia
era só por haver-te já perdido ao encontrar-te
Nada no fundo tinha que dizer-te
e para ver-te verdadeiramente
e na tua visão me comprazer
indispensável era evitar ter-te
Era tudo tão simples quando te esperava
tão disponível como então eu estava
Mas hoje há os papéis há as voltas dar
há gente à minha volta há a gravata
Misturei muitas coisas com a tua imagem
Tu és a mesma mas nem imaginas
como mudou aquele que te esperava
Tu sabes como era se soubesses como é
Numa vida tão curta mudei tanto
que é com certo espanto que no espelho da manhã
distraído diviso a cara que me resta
depois de tudo quanto o tempo me levou
Eu tinha uma cidade tinha o nome de madrid
havia as ruas as pessoas o anonimato
os bares os cinemas os museus
um dia vi-te e desde então madrid
se porventura tem ainda para mim sentido
é ser solidão que te rodeia a ti
Mas o preço que pago por te ter
é ter-te apenas quanto poder ver-te
e ao ver-te saber que vou deixar de ver-te
Sou muito pobre tenho só por mim
no meio destas ruas e do pão e dos jornais
este sol de Janeiro e alguns amigos mais
Mesmo agora te vejo e mesmo ao ver-te não te vejo
pois sei que dentro em pouco deixarei de ver-te
Eu aprendi a ver a minha infância
vim a saber mais tarde a importância desse verbo para os gregos
e penso que se bach hoje nascesse
em vez de ter composto aquele prelúdio e fuga em ré maior
que esta mesma tarde num concerto ouvi
teria concebido aqueles sweet hunters
que esta noite vi no cinema rosales
Vejo-te agora vi-te ontem e anteontem
E penso que se nunca a bem dizer te vejo
se fosse além de ver-te sem remédio te perdia
Mas eu dizia que te via aqui e acolá
e quando te não via dependia
do momento marcado para ver-te
Eu chegava primeiro e tinha de esperar-te
e antes de chegares já lá estavas
naquele preciso sítio combinado
onde sempre chegavas sempre tarde
ainda que antes mesmo de chegares lá estivesses
se ausente mais presente pela expectativa
por isso mais te via do que ao ter-te à minha frente
Mas sabia e sei que um dia não virás
que até duvidarei se tu estiveste onde estiveste
ou até se exististe ou se eu mesmo existi
pois na dúvida tenho a única certeza
Terá mesmo existido o sítio onde estivemos?
Aquela hora certa aquele lugar?
À força de o pensar penso que não
Na melhor das hipóteses estou longe
qualquer de nós terá talvez morrido
No fundo quem nos visse àquela hora
à saída do metro de serrano
sensivelmente em frente daquele bar
poderia pensar que éramos reais
pontos materiais de referência
como as árvores ou os candeeiros
Talvez pensasse que naqueles encontro
sem que talvez no fundo procurássemos
o encontro profundo com nós mesmos
haveria entre nós um verdadeiro encontro
como o que apenas temos nos encontros
que vemos entre os outros onde só afinal somos felizes
Isso era por exemplo o que me acontecia
quando há anos nas manhãs de roma
entre os pinheiros ainda indecisos
do meu perdido parque de villa borghese
eu via essa mulher e esse homem
que naqueles encontros pontuais
Decerto não seriam tão felizes como neles eu
pois a felicidade para nós possível
é sempre a que sonhamos que há nos outros
Até que certo dia não sei bem
Ou não passei por lá ou eles não foram
nunca mais foram nunca mais passei por lá
Passamos como tudo sem remédio passa
e um dia decerto mesmo duvidamos
dia não tão distante como nós pensamos
se estivemos ali se madrid existiu
Se portanto chegares tu primeiro porventura
alguma vez daqui a alguns anosjunto de califórnia vinte e um
que não te admires se olhares e me não vires
Estarei longe talvez tenha envelhecido
Terei até talvez mesmo morrido
Não te deixes ficar sequer à minha espera
não telefones não marques o número
ele terá mudado a casa será outra
Nada penses ou faças vai-te embora
tu serás nessa altura jovem como agora
tu serás sempre a mesma fresca jovem pura
que alaga de luz todos os olhos
que exibe o sossego dos antigos templos
e que resiste ao tempo como a pedra
que vê passar os dias um por um
que contempla a sucessão de escuridão e luz
e assiste ao assalto pelo sol
daquele poder que pertencia à lua
que transfigura em luxo o próprio lixo
que tão de leve vive que nem dão por ela
as parcas implacáveis para os outros
que embora tudo mude nunca muda
ou se mudar que se não lembre de morrer
ou que enfim morra mas que não me desiluda
Dizia que ao chegar se olhares e não me vires
nada penses ou faças vai-te embora
eu não te faço falta e não tem sentido
esperares por quem talvez tenha morrido
ou nem sequer talvez tenha existido
ruy belo
amo-te mais do que roma, madrid e paris, maria. vou amar-te também mais do que amesterdão. sempre.
Às vezes se te lembras procurava-te
retinha-te esgotava-te e se te não perdia
era só por haver-te já perdido ao encontrar-te
Nada no fundo tinha que dizer-te
e para ver-te verdadeiramente
e na tua visão me comprazer
indispensável era evitar ter-te
Era tudo tão simples quando te esperava
tão disponível como então eu estava
Mas hoje há os papéis há as voltas dar
há gente à minha volta há a gravata
Misturei muitas coisas com a tua imagem
Tu és a mesma mas nem imaginas
como mudou aquele que te esperava
Tu sabes como era se soubesses como é
Numa vida tão curta mudei tanto
que é com certo espanto que no espelho da manhã
distraído diviso a cara que me resta
depois de tudo quanto o tempo me levou
Eu tinha uma cidade tinha o nome de madrid
havia as ruas as pessoas o anonimato
os bares os cinemas os museus
um dia vi-te e desde então madrid
se porventura tem ainda para mim sentido
é ser solidão que te rodeia a ti
Mas o preço que pago por te ter
é ter-te apenas quanto poder ver-te
e ao ver-te saber que vou deixar de ver-te
Sou muito pobre tenho só por mim
no meio destas ruas e do pão e dos jornais
este sol de Janeiro e alguns amigos mais
Mesmo agora te vejo e mesmo ao ver-te não te vejo
pois sei que dentro em pouco deixarei de ver-te
Eu aprendi a ver a minha infância
vim a saber mais tarde a importância desse verbo para os gregos
e penso que se bach hoje nascesse
em vez de ter composto aquele prelúdio e fuga em ré maior
que esta mesma tarde num concerto ouvi
teria concebido aqueles sweet hunters
que esta noite vi no cinema rosales
Vejo-te agora vi-te ontem e anteontem
E penso que se nunca a bem dizer te vejo
se fosse além de ver-te sem remédio te perdia
Mas eu dizia que te via aqui e acolá
e quando te não via dependia
do momento marcado para ver-te
Eu chegava primeiro e tinha de esperar-te
e antes de chegares já lá estavas
naquele preciso sítio combinado
onde sempre chegavas sempre tarde
ainda que antes mesmo de chegares lá estivesses
se ausente mais presente pela expectativa
por isso mais te via do que ao ter-te à minha frente
Mas sabia e sei que um dia não virás
que até duvidarei se tu estiveste onde estiveste
ou até se exististe ou se eu mesmo existi
pois na dúvida tenho a única certeza
Terá mesmo existido o sítio onde estivemos?
Aquela hora certa aquele lugar?
À força de o pensar penso que não
Na melhor das hipóteses estou longe
qualquer de nós terá talvez morrido
No fundo quem nos visse àquela hora
à saída do metro de serrano
sensivelmente em frente daquele bar
poderia pensar que éramos reais
pontos materiais de referência
como as árvores ou os candeeiros
Talvez pensasse que naqueles encontro
sem que talvez no fundo procurássemos
o encontro profundo com nós mesmos
haveria entre nós um verdadeiro encontro
como o que apenas temos nos encontros
que vemos entre os outros onde só afinal somos felizes
Isso era por exemplo o que me acontecia
quando há anos nas manhãs de roma
entre os pinheiros ainda indecisos
do meu perdido parque de villa borghese
eu via essa mulher e esse homem
que naqueles encontros pontuais
Decerto não seriam tão felizes como neles eu
pois a felicidade para nós possível
é sempre a que sonhamos que há nos outros
Até que certo dia não sei bem
Ou não passei por lá ou eles não foram
nunca mais foram nunca mais passei por lá
Passamos como tudo sem remédio passa
e um dia decerto mesmo duvidamos
dia não tão distante como nós pensamos
se estivemos ali se madrid existiu
Se portanto chegares tu primeiro porventura
alguma vez daqui a alguns anosjunto de califórnia vinte e um
que não te admires se olhares e me não vires
Estarei longe talvez tenha envelhecido
Terei até talvez mesmo morrido
Não te deixes ficar sequer à minha espera
não telefones não marques o número
ele terá mudado a casa será outra
Nada penses ou faças vai-te embora
tu serás nessa altura jovem como agora
tu serás sempre a mesma fresca jovem pura
que alaga de luz todos os olhos
que exibe o sossego dos antigos templos
e que resiste ao tempo como a pedra
que vê passar os dias um por um
que contempla a sucessão de escuridão e luz
e assiste ao assalto pelo sol
daquele poder que pertencia à lua
que transfigura em luxo o próprio lixo
que tão de leve vive que nem dão por ela
as parcas implacáveis para os outros
que embora tudo mude nunca muda
ou se mudar que se não lembre de morrer
ou que enfim morra mas que não me desiluda
Dizia que ao chegar se olhares e não me vires
nada penses ou faças vai-te embora
eu não te faço falta e não tem sentido
esperares por quem talvez tenha morrido
ou nem sequer talvez tenha existido
ruy belo
amo-te mais do que roma, madrid e paris, maria. vou amar-te também mais do que amesterdão. sempre.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
terça-feira, 25 de maio de 2010
segunda-feira, 24 de maio de 2010
sábado, 22 de maio de 2010
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