Maria, meu amor, minha vida inteira.
Nada devemos ao mundo senão nós mesmos. Escrevo-te por isso mesmo. Não que estejamos em dívida, mas sim porque nos devemos, também a nós, cobrar a vida inteira. Maria, tanta vida temos já para contar... E tanta mais havemos de ter.
Noivámos como o Camilo nos pediu, como já não se faz. Amor, quero casar contigo. Casar de verdade, de papel, de «Sim, quero.», de vestido branco, de festa de Família, e tudo.
Quero a nossa casa em Ferreira, quero os nossos petizes correndo pelo pátio, trepando a laranjeira. Quero-nos brincando com eles na Costa, a fazer casas nas árvores. Quero-nos ao Sol, lendo ao entardecer. Ouvindo músicas que nos fazem sorrir e apertar as mãos e os dedos um do outro, nem que seja levemente, quando trocamos o olhar. Quero que nos tenhamos em Casa.
Meu amor, devemo-nos tanta arte e tantas viagens. Tanta vida, e bicicletas, e Paris. Devemo-nos tanta Casa, Maria. Tantos abraços.
Não é envelhecer, amor, é viver.
Maria João Isidro Guerreiro, casas comigo?


