segunda-feira, 26 de março de 2012

Nós (ou; O Presente e o Futuro)


Maria, meu amor, minha vida inteira.

Nada devemos ao mundo senão nós mesmos. Escrevo-te por isso mesmo. Não que estejamos em dívida, mas sim porque nos devemos, também a nós, cobrar a vida inteira. Maria, tanta vida temos já para contar... E tanta mais havemos de ter.

Noivámos como o Camilo nos pediu, como já não se faz. Amor, quero casar contigo. Casar de verdade, de papel, de «Sim, quero.», de vestido branco, de festa de Família, e tudo.

Quero a nossa casa em Ferreira, quero os nossos petizes correndo pelo pátio, trepando a laranjeira. Quero-nos brincando com eles na Costa, a fazer casas nas árvores. Quero-nos ao Sol, lendo ao entardecer. Ouvindo músicas que nos fazem sorrir e apertar as mãos e os dedos um do outro, nem que seja levemente, quando trocamos o olhar. Quero que nos tenhamos em Casa.

Meu amor, devemo-nos tanta arte e tantas viagens. Tanta vida, e bicicletas, e Paris. Devemo-nos tanta Casa, Maria. Tantos abraços.

Não é envelhecer, amor, é viver.

Maria João Isidro Guerreiro, casas comigo?

quarta-feira, 21 de março de 2012

primavera

é primavera, amor, e tenho tantos planos para nós... daqueles bonitos, de praias, e ervas, e rochas e mar. sonhos de alentejos.

é primavera, amor. uma vida inteira de primavera.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Fiançailles: uma promessa de uma vida inteira



Manhã clara no Jardim das Amoreiras. Da mesa da esplanada do quiosque, é fácil imaginá-los ali sentados a conversar ou a descer a rua abraçados, vindos da casa que tinham ao virar da esquina, no Alto de São Francisco.

Maria Helena Vieira da Silva e Arpad Szenes pareciam quase sempre um casal de namorados, mesmo quando ele estava no Rio de Janeiro e ela num navio a caminho de Dacar, mesmo quando ela passava temporadas em Lisboa a aborrecer-se com conversas de sala depois do jantar, e ele em Paris, entre amigos e telas na casa do Boulevard Saint-Jacques e no atelier da Avenida Denfert-Rochereau.

Ler parte das dezenas de cartas que escreveram um ao outro durante os 55 anos em que viveram juntos é entrar na sua intimidade, perceber de que se ocupavam quando não estavam a pintar, o que os preocupava quando se separavam.

"Hoje, ao olhar as tuas fotografias, gostei tanto de me lembrar de nós no ateliê a cozinhar. Eu abraçava-te apaixonadamente e a fotografia ficou com o sabor da mousse de chocolate. Adorava ver-te mesmo de longe", escreve-lhe Arpad em Março de 1947, num período em que Vieira regressa a Paris e o pintor húngaro fica no Rio de Janeiro, transformando o ateliê que partilhavam em Santa Tereza, bairro boémio de casario português e muitos artistas, na sua "gruta tropical".

"As cartas entre a Vieira e o Arpad quase não falam de pintura. O que ali vemos é a vida a acontecer".

Pelo nosso laço, meu amor, da fibra do amor das grandes almas, dos grandes artistas, dos grandes amantes. Amo-te. Amo-te desde o primeiro instante. E para sempre.

sexta-feira, 2 de março de 2012

roma

(fotografia de Luccaro)

(para roma, com amor, dois anos depois. ter-nos-emos em villa borghese, como o belo * )