Se a tua boca as diz
Se no teu rosto as vejo
As palavras são coisas
Quando as fere o desejo
E quando dizes mar
E quando dizes norte
Não sei se nao me acerco
De um bocado de morte
E quando dizes barco
Ou quando dizes esfera
Há águas que transbordam
E inundam a terra
As palavras são coisas
As palavras são um perigo
Se acaso as pronuncias
Quando não estás comigo
E quando tu adormeces
Muda num sonho fundo
Tudo se desvanece
E deixa de haver mundo.
Bernardo Pinto de Almeida
(são do meu coração para o teu, Maria * )
(Como é que não nos lembrávamos dele?)
ResponderEliminarMeu amor, a última quadra reflecte tão bem o que te contava hoje, acerca do meu sono e do temor que a falta dele em mim instala. A tua ausência presente aquando da dormida é, para mim, precisamente aquilo que é também para o poeta: quando tu adormeces, tudo se desvanece e deixa de haver mundo. Amo-te loucamente. Assim, nestes termos quase patológicos até. Amo-te e preciso-te. Amo-te mais.
M.