sexta-feira, 8 de outubro de 2010

na minha boca, as coisas d'ele

Se a tua boca as diz
Se no teu rosto as vejo
As palavras são coisas
Quando as fere o desejo

E quando dizes mar
E quando dizes norte
Não sei se nao me acerco
De um bocado de morte

E quando dizes barco
Ou quando dizes esfera
Há águas que transbordam
E inundam a terra

As palavras são coisas
As palavras são um perigo
Se acaso as pronuncias
Quando não estás comigo

E quando tu adormeces
Muda num sonho fundo
Tudo se desvanece
E deixa de haver mundo.


Bernardo Pinto de Almeida


(são do meu coração para o teu, Maria * )

1 comentário:

  1. (Como é que não nos lembrávamos dele?)

    Meu amor, a última quadra reflecte tão bem o que te contava hoje, acerca do meu sono e do temor que a falta dele em mim instala. A tua ausência presente aquando da dormida é, para mim, precisamente aquilo que é também para o poeta: quando tu adormeces, tudo se desvanece e deixa de haver mundo. Amo-te loucamente. Assim, nestes termos quase patológicos até. Amo-te e preciso-te. Amo-te mais.

    M.

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