Re-passeando-me pela «The Age of Adz», sei o quão perto o Amor está do Apocalipse.
É assim uma distância tão pertinho como o tempo há que te não vejo. Assim um perto mais perto do que a falta das tuas mãos nas minhas. É um tudo mais perto do que acordar de manhã e ver-te embrulhada nos nossos lençóis, sossegada, feita presente de Natal para uma criança que nem percebe bem o que fez para merecer prenda tão perfeita. É um não saber bem como dizer coisas que se não conseguem dizer senão com o corpo. É ter-te em falta pelo sorriso e pelo abraço. É deixar de conseguir saber o sabor da fruta porque faltas tu para te dizer a que sabe. É deixar de correr, do trabalho para casa, sabendo que me esperas, e sabendo que todos os segundos que chegar mais cedo são mais segundos para nós. É um não saber muito bem como é que se vive, é uma desaprendizagem (in)volutária, um desleixe contínuo por tudo, uma negligência universal, uma apatia emocional, um apagar individual, um crescendo decrescente. Tudo.
O Amor está tão perto do Apocalipse como as Saudades que te tenho.
Post Scriptum: «A medida do amor é amar sem medida.» Elogio do Amor, de Jean-Luc Godard.
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